O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

terça-feira, 27 de junho de 2017

Atos 1 = Expectativas.


®   Atos 1: Expectativas.

Quero convidar aos irmãos para embarcarmos numa caminhada pelo livro de Atos em 2017, visto que esse livro aponta para a nossa vocação de sermos testemunhas vivas de Jesus onde estivermos. Vamos publicar no boletim uma meditação para cada capítulo a fim de aprendermos a olhar para nossas vidas a partir da Palavra de Deus.

Atos é a continuação do Evangelho de Lucas (o primeiro livro), mas também é a continuação da obra de Jesus por meio do Espírito Santo conduzindo sua igreja liderada pelos apóstolos, porque narra “as coisas que Cristo começou a fazer e a ensinar” (v.1).

Expectativas quanto ao que vem.
Atos 1 pinta um quadro de expectativas para a igreja quanto ao que virá depois. Cristo está aqui entre nós; não mais morto, mas ressuscitado; não um fantasma, mas alguém que come com os discípulos e os ouve (v.4); não calado, mas falando das coisas concernentes ao reino de Deus (v.3); não oculto, mas aparecendo aos discípulos durante quarenta dias. Ele dizia para que esperassem em Jerusalém o cumprimento da promessa de Joel 2. O Espírito de Deus seria derramado e todos seriam batizados por Cristo com o Espírito Santo. Por isso, olhemos para o ano que vem com a expectativa de quem aguarda e confia na Palavra de Deus. Ela sempre se cumprirá conforme ele diz.

Nossas expectativas precisam ter foco ajustado
O verso 6 é a deixa para Jesus Cristo ajustar o foco das expectativas de seus discípulos. Eles continuavam vendo nele um Messias político, mas o seu reino é diferente. Atos 1.8 é o esboço da obra de Cristo narrada em Atos. Eles receberiam poder para serem testemunhas de Cristo simultaneamente em Jerusalém, Judéia e Samaria, e até aos confins da terra! Para a igreja, testemunhar a Cristo é mais prioritário que qualquer outro projeto. Nada tem sentido para nós se o nome de Cristo não for o primeiro e ele receba todo o louvor e toda a glória por tudo!

O que vai acontecer depois? Cristo foi elevado às alturas até desaparecer da vista dos seus olhos! Precisamos ser alertados de que Deus se fará presente sempre, todos os dias, como prometeu (Mt 28.18-20), mas não como era antes (2 Co 5.14-17). Precisamos estar conscientes de que como ele se foi, também voltará. Diante dos olhos dos seus discípulos foi para o Pai, diante dos olhos dos discípulos voltará da parte do Pai (v.11 – Ap 1.7). Nossas esperanças e expectativas estão focalizadas no que ele fez, faz e fará, pois o nosso socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra; não permitirá que vacilemos e nos guardará por todo caminho (Sl 121).

Nossas expectativas nos levam à preparação.
Entre a ascensão do Senhor e o derramamento do Espírito no dia de Pentecostes há um lapso de tempo de dez dias. Nesse intervalo de tempo a igreja estava em Jerusalém, perseverando unânime em oração. Eles oravam; não para que a promessa se cumprisse, mas porque a promessa iria se cumprir. Mas não somente oravam, preparavam-se. A escolha de Matias (eleição) se deu nesse período. A igreja busca entender, com base no Antigo Testamento, o caso de Judas Iscariotes, e estabelece e usa pela primeira vez o critério da apostolicidade (para ser apóstolo é necessário ser testemunha ocular de Cristo desde o batismo de João até a ascensão de Cristo – v.21,22).

Desde o começo, a expectativa se concentra no final. A finalidade de nossas vidas é estar com Cristo onde ele estiver. Para isso o aguardamos, para isso vivemos nossa história aqui!
Com amor, Pr. Helio.


Atos 18 = Fala e Não Te Cales!



®   Atos 18: Fala e Não Te Cales.

A segunda viagem missionária chega a seu ponto alto em Corinto. Dois fatos são importantes:

(1) Paulo se entrega ao trabalho missionário de tempo integral após um tempo trabalhando com Priscila e Áquila fazendo tendas (v.5). O trabalho missionário poderá exigir de nós adaptações a fim de que a obra do Senhor prossiga e progrida. A manutenção diária nunca será uma tarefa fácil para quem atendeu ao chamado para ir adiante levando o evangelho da graça. Notemos, no entanto, que essas adaptações devem ter caráter temporário, pois a dedicação de tempo integral é o determinado por Deus. Precisamos estar precavidos e conscientes de que o temporário não venha a se tornar definitivo. Ainda que Fazedores de Tendas seja uma estratégia válida e necessária na concretização do trabalho missional, não é o ideal para o trabalho pastoral posterior quando a igreja já estiver estabelecida.

(2) Paulo se volta integralmente ao trabalho dentre os gentios (v.6). A partir de Corinto é que Paulo se torna de fato o Apóstolo aos gentios, levando o evangelho de forma convicta e ousada ao mundo fora dos contornos judaicos. Nesses tempos de tolerância intolerante aos cristãos é importante conscientizar-se de que as demandas da obra evangelística não diminuem porque o mundo se tornou mais cínico para com o trabalho missionário cristão. Os portões de bronze e as trancas de ferro sempre estiveram adiante de nós; todavia, entre nós e estes está o Espírito Santo que nos capacita com poder para sermos testemunhas de Cristo aonde quer que formos enviados! (Atos 1.8).

Corinto exigiu bastante tempo, pois houve muita oposição, mas também houve muitos frutos. Devemos atentar para que os tumultos da plantação de uma igreja não se tornem características da personalidade dessa mesma igreja por associação. A agitação da sociedade coríntia parece ter contaminado a igreja com uma agitação que sempre gerou preocupação com aquela igreja (Paulo no Novo Testamento e Clemente de Roma no período pós-apostólico).

Por outro lado, a oposição não pode silenciar a evangelização. A escassez de recursos não deve paralisar o trabalho. Dificuldades e oposição não definem se um trabalho é promissor ou não, pelo contrário, são fatores determinantes da nossa perseverança, pois Deus é o provedor do sucesso da sua obra!

Deus disse a Paulo: “Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nessa cidade” (Atos 18.9,10).

Dois missionários presbiterianos pregaram o evangelho numa cidade do interior de São Paulo por vários dias sem muito sucesso, conseguindo apenas vender 20 Bíblias para algumas famílias. Na saída da cidade, um deles bateu seus pés no chão a fim de sacudir a poeira da cidade. O outro retrucou imediatamente: “Não podemos ignorar uma cidade onde há 20 Bíblias trabalhando”. Algum tempo depois, outros missionários voltaram àquela cidade e uma igreja foi definitivamente plantada ali para a glória de Deus!

Com amor, Pr. Helio.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Stevam Sloop, Waldemar Rose e Johm Müller - Brasilia-1957

Caríssimos irmãos. Estou escrevendo um livro sobre a História da IPB em Goiás e dentre as várias linhas de pesquisa que tenho desenvolvido peço auxílio dos irmãos para ajuntar material, atas e documentos sobre as seguintes igrejas e pessoas:
Igrejas Presbiterianas mais antigas de Goiás fundadas antes de 1940. Primeira de Goiânia, Jataí, Rio Verde, Central de Anápolis, Ceres, Porangatu, Uruana, Planaltina, Waldelândia e outras mais antigas ou tão antigas quanto essas dentro do estado de Goiás.
Minha pesquisa não tratará das igrejas do Estado de Tocantis.
Pastores, evangelistas e missionárias educadoras:
1. Waldemar Rose.
2. Sebastião Rodrigues.
3. Aristeu de Oliveira Pires.
4. Jaime Woodson
5. Obreiros da Missão Oeste que trabalharam em Goiás antes de 1960. David Lee Willianson, Richardt Taylor, Robert Camenish (?),
6. Miss. Martha Little.
7. Miss. Abigail Castro.
8. Evang. Abel Pires (Corte).
9. Miss. Agnes - Anapolis
10. James Fanstone.
11. Dr. Gordon
12. Samuel Graham
13. Ashmun C. Saley
Instituições:
Hospital Gordon - Ro Verde.
Instituto Samuel Graham - Jataí.
IPE-Goiânia.
Hospital Evangélico de Anápolis
Escola Bandeirantes de Ceres.
Caso você possua relatos históricos ou parentes que participaram das histórias dessas igrejas, instituições e pessoas relacionadas acima.
Por favor, entrem em contato comigo pelo email revhelio@gmail.com para contato ou enviando cópias digitalizadas de documentos relevantes.
Grato.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

1 Coríntios 8 = Liberdade Limitada Pelo Amor


Texto: 1 Coríntios 8
Tema: Liberdade Limitada Pelo Amor.
Rev. Helio O. Silva, Rubiataba-GO, 10/11/1995.
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Introdução:
Quem é forte e quem é fraco na fé. Um dilema constante na Igreja.
Quando sou forte?
Para um grupo: Sou forte quando eu sei das coisas, e usufruo livremente delas.
Para Paulo: Sou forte quando sei abrir mão daquilo que não me diminui nem me faz crescer por amor dos outros irmãos.
Quando sou fraco?
Para outro grupo: Quando me abstenho de praticar certas coisas por causa do medo de cair.
Para Paulo: Concorda; é fraco, mas deve ser respeitado por quem se acha ou é mais forte.
         Ambas as atitudes se tornam pecado quando falta amor na Igreja. Porque o amor edifica.
         I Co 6.12, e também 1 Co 10.23 ensinam três perguntas básicas para regular a nossa liberdade cristã:
É conveniente? (vantajoso, decente);
Está sob meu domínio?
Edifica?

Proposição:

O amor é o limite da liberdade. Observe esse ensino de três formas no texto.

I ) O SABER ENSOBERBECE, MAS O AMOR EDIFICA    V. 1 - 3:

a)    Somos senhores do saber.
O conhecimento pode ser controlado de forma seletiva.

b)    O saber ensoberbece (enche).
 Pode levar à arrogância e à insensibilidade para com os outros.

c)    É preciso saber como convém saber.
 Nem todo saber é conveniente, ou produz benção para a vida da Igreja.

d)    O amor edifica
Leva ao crescimento de intimidade com Deus e à preocupação e interesse pelos outros.

e)    Quem ama a Deus é conhecido por Ele.
    Entrou num relacionamento mais intimo com Ele por meio de Cristo. O amor é o limite da atuação do nosso conhecimento.

II ) VIVEMOS PARA A GLÓRIA DE DEUS E NÃO DOS ÍDOLOS. V. 4 - 6:

a)    O ídolo é uma nulidade.
 “Nada é no mundo”. Alguns os chamam de deuses, mas isso não muda sua verdadeira condição.

b)    Há um só Deus.
A visão cristã se opõe à visão do mundo (“para nós”).
Ø Dele é tudo = Origem.
Ø Para Ele é tudo = Finalidade.
Ø Por meio Dele é tudo = Sustentação.
         Toda a minha liberdade é sustentada nesse tripé.

III ) A MINHA LIBERDADE NÃO PODE FAZER TROPEÇAR O OUTRO.   V. 7 - 10:

a) Alguns ainda estão presos a idéias pagãs (v.7).
         São crentes novos na fé  ou que não amadureceram suficientemente, e por isso sua consciência pode contaminar-se.

b)    Nada se perde em não comer; nada se ganha em comer (v.8).

c)    A liberdade não me dá direito a fazer o outro tropeçar(v.9).
Causar escândalo, ofender.

d)    A prática de “tal” liberdade pode  induzir (fortalecer para; edificar o desejo) o outro a pecar.
    Nesse caso o meu conhecimento se tornou em armadilha para o outro para afastá-lo da fé pura.

Aplicações v. 11 - 13:

         1ª) O meu saber pode ser empecilho à fé dos outros (v.11).
         “Perecer” = Levar ao pecado; arruinar a fé.

         2ª) Golpear a consciência fraca é pecar contra Cristo (v.12).
         “Golpear” = Bater com murros.

         3ª) A abstinência é melhor do que o escândalo (Fazer cair, colocar tropeço).
“Nunca mais” = enfático: uma decisão definitiva.
         Existem dois grupos na Igreja que erram quanto à sua liberdade em Cristo:
1º) Os que são propensos a escândalos.
É preciso convencer-lhes de que o erro se combate com o ensino correto dado de antemão, e não pela abstinência por causa do medo da ofensa. É preciso lembrá-los de que às vezes a própria verdade ofende a quem não quer obedecer.

2º)  Os que amam mais a liberdade que aos irmãos.
Acham que podem praticar sua liberdade sem qualquer explicação e incentivam aos outros a fazerem o mesmo para acobertar sua prática leviana. Isso é hipocrisia, pois induz o mais fraco na fé ao pecado. Calvino os chama de “impudentes” (pessoas sem vergonha).

Quando, porém, limitamos nossa liberdade pelo amor, encontramos o caminho do verdadeiro crescimento espiritual.

PRESENÇA

Hélio O. Silva

07/06/2010                                             Presença


 Tu estás aqui;
Não porque nós cremos.
Não porque nós a sentimos.
Mas porque tu estás.
E penetras as nossas almas
Porque tu habitas em nós.

Tu estás aqui
E anda entre nós.
Ainda que não se veja
És a presença que não se esconde.
Tua presença nos ilumina.
Tua graça nos envolve.

Tu estás aqui
Estás assentado acima dos querubins
Revestido de glória
Assentado no trono de graça, justiça e amor.
Tua presença é tudo que temos.
Tua presença é a verdade que vivemos.

Tu estás aqui.
Esta casa é tua
Os convidados somos nós.
Por isso nos encurvamos
Adoramos o Senhor.
Bendizemos nosso redentor.


Helio O. Silva

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Diante do Trono

Gravura de - O Progresso do Peregrino - John Bunyan

Hélio O. Silva.
17/07/2005.               Diante do Trono

Diante do trono de graça derramei a minha alma
As minhas lágrimas engoliam as minhas palavras.
O meu rei de lá desceu e cuidou de mim.
Tomando-me em seus braços de pai,
Enxugando meu rosto inconsolado.
Abraçou-me serenamente.
Fitou-me sem acusação.
Meus pecados mancharam
A alvura de sua túnica branca,
Mas ele nem se importou.

Eu tentei limpar o sangue de minhas mãos
Mas aquela mancha não saía dali!
Oh meu Deus!
O que farei, o que será de mim?!

O seu abraço foi como o tocar suave
Da lã de um cordeiro perfumado.
Aquecendo meu coração,
Aceitando-me como estava.
Ele me afagava carinhosamente.
Perdoou-me sem nada me cobrar.
Parecia ter todo o tempo do mundo
Só para me escutar.

Eu lhe contei tudo o que ele já sabia
Mas mesmo assim ouviu-me atentamente.
Eu lhe contei tudo o que o ofendia,
Mas mesmo assim 
Não desviou o seu olhar e o seu amor de mim.
Eu chorava e parecia que doía mais nele que em mim!
Como eu pude ser tão mal!?
Eu não quero ser tão mal.

Depois de tudo,
Ele me estendeu o seu cajado,
Estendendo-me a sua paz.
O seu perdão que nunca mereci,
Mas, que o seu amor plantou no meu coração.


À Sombra de Tuas Mãos


À Sombra de Tuas Mãos


Debaixo da sombra de tuas mãos; 
não há outro lugar onde queira estar. 
Aqui acalmo o meu coração. 
Encontro consolo sem igual. 
Não me sinto sozinho, 
mas protegido e  seguro.

Nada é duvidoso e obscuro aqui. 
Tudo é claro e certo. 
Pois sinto o carinhoso som de tua voz 
que me conduz, que me diz o que fazer. 
E sem hesitação 
corro para debaixo de tuas mãos.

Debaixo da sombra de tuas mãos 
eu não preciso fingir, 
posso ser quem sou. 
E me entrego sem reservas, sem limites, 
pois sei que o fim será bom. 
Não preciso temer o mal; 
aqui ele não me toca. 
Eu sei que é assim, 
por isso vim me refugiar.

Tuas mãos são fortes e firmes. 
É para se temer quando estendes teu braço. 
Sem a tua sombra não há paz, 
não há descanso.

Longe dessa sombra não sei o que fazer, 
o que vai acontecer; 
onde vai dar. 
Eu já tentei tantas vezes viver assim. 
E chorei, e me machuquei, 
e quase enlouqueci 
com um conforto que não era o teu, 
mas que também não foi o meu. 
E sufocado, sem saída e sem paz, 
desejei voltar. 
Eu vim me refugiar aqui outra vez.

Eles me chamam pra sair, é verdade. 
Usam de palavras boas, convincentes, 
agradáveis de ouvir e para sonhar. 
Mas não são a mesma coisa 
que a sombra de tuas mãos. 
Quando tuas mãos não abençoam, 
o muito vira pouco, 
eu aprendi. 
Oh não me deixa esquecer!

Agora, mais uma vez, 
debaixo da sombra de tuas mãos 
tenho de decidir. 
É fazer a tua vontade 
e não fazer a tua vontade. 
É encontrar-me com ela,
ou sair de dentro dela. 
É continuar ou ter de recomeçar. 

Eu só quero estar aqui, 
debaixo da sombra 
que tua mão faz ao me dirigir; 
não há outro lugar para se estar. 
Eu quero ficar aqui. 
Não há outro lugar onde eu queira mais estar. 
Dá-me a tua paz...


Hélio O. Silva

17/11/2001.

Atos 17 = Três Cidades Diferentes

Tessalônica, Grécia

®   Atos 17: Três Cidades Diferentes.

Tessalônica. A fundação da igreja em Tessalônica é impressionante! Em apenas três semanas uma igreja foi plantada ali, e se tornou modelo para todas as igrejas da Macedônia e Acaia em apenas seis meses! Paulo simplesmente lhes expunha as Escrituras e arrazoava (respondia e fazia perguntas) com eles centralizando tudo em Cristo; na sua morte e na sua ressurreição dentre os mortos. A exposição da Palavra de Deus transformou suas vidas e repercutiu porque foi pregada no poder do Espírito e com convicção (1 Ts 1.5). Em Tessalônica, a fé se tornou operosa, o amor mostrou-se abnegado e a esperança construiu alicerce firme (1 Ts 1.2); fatos que tornam possível o reconhecimento público e notório de nossa eleição (1 Ts 1.4). Nessa cidade fomos chamados de “aqueles que têm transtornado o mundo!” (v.6).

Beréia ficou conhecida por sua nobre disposição de estudar as Escrituras. Eles ouviam à Palavra com avidez e examinavam as Escrituras todos os dias a fim de conferirem o conteúdo da pregação. Isso levou muitos à fé. Chamou a atenção de Lucas o grande número de conversões entre os homens e a conversão de mulheres de alta posição (v.12). Aqui aprendemos que o estudo diário das Escrituras enobrece a nossa fé e nos torna mais atentos à verdade! Aprendemos também que o tempo investido no conhecimento das Escrituras trás de volta dividendos espirituais incalculáveis por causa da profundidade em que estabelecemos os nossos alicerces.

Em Atenas temos o discurso mais acadêmico de Paulo em todo o livro de Atos. O Evangelho é apresentado, confronta e é confrontado no centro intelectual do Império. É importante observar que nas cidades mais intelectualizadas é que a idolatria se torna mais aparente e tanto mais dominante e revoltante (v.16). Mais uma vez, a doutrina da ressurreição é o divisor de águas entre a fé e o racionalismo incrédulo. Houve poucas conversões, mas elas ocorreram, pois a salvação é pela graça e não pelo conhecimento. Um funcionário público importante, Dâmaris e outros mais. Fica evidente que a apologética cristã não pode ser ingênua ao ponto de crer que basta a robustez intelectual da verdade para conduzir os estudiosos à fé, pois a fé é tanto histórica quanto sobrenatural e somente aqueles nos quais a graça trabalhar sobrenaturalmente é que se renderão a Cristo e abraçarão o evangelho. Nossos argumentos intelectuais mais robustos em favor do evangelho sempre dependerão da ação irresistível da graça de Deus operada pelo poder sobrenatural do Espírito Santo!

Cidades diferentes com reações diferenciadas ao Evangelho. Nas duas primeiras a perseguição veio dos judeus, o que não ocorreu em Atenas. Ali houve desdém, indiferença e menosprezo por parte da intelectualidade. Nada de novo para nós do século XXI. O que importa é continuar lançando as redes e pescando peixes de todas as espécies!
                                                                                    Com amor, Pr. Helio.


João 20 1 10 O Impacto da Ressurreição=Culto vespertino 110620171

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Atos 16 - Tu e Tua Casa


®   Atos 16: Tu e tua casa.

O capítulo 16 de Atos faz parte da sessão que vai de 15.36 a 18.21 e compreende a narrativa que Lucas faz da segunda viagem missionária de Paulo. Podemos dizer que estamos entrando no coração do livro de Atos. A segunda viagem de Paulo é bem mais longa e abrangente que a primeira, sendo coroada de muitos frutos. Alguns fatos precisam ser pontuados: A riqueza da experiência missional de Paulo fundando várias igrejas importantes; o primeiro olhar do Evangelho na direção do ocidente acontece a partir de Atos 16 com a fundação da primeira igreja europeia (Filipos); o aumento das perseguições; a formatação da equipe missionária paulina com a inclusão de Timóteo, Lucas e Tito; a participação de Priscila e Áquila, bem como a conversão e atuação de Apolo. De muitas formas, essa seção de Atos é tanto desafiante quanto impactante.

O Espírito Santo não só impulsiona o trabalho, como às vezes também o impede, redirecionando-o (v.6,7). A ferramenta do Espírito Santo foi tanto as circunstâncias como a “visão de Paulo à noite”. Também é o Senhor quem abre o coração das pessoas para que ouçam e creiam no Evangelho (v.14). Uma mulher rica (Lídia), uma escrava e um carcereiro. Pessoas de camadas sociais diferentes unidas pelo evangelho para formarem e conviverem numa mesma igreja com suas famílias. A diversidade experimentando a unidade em Cristo. Isso deveria ser fundamental nas nossas estratégias missionárias. Será que não foi por isso que Lucas gastou mais tempo descrevendo a experiência da pregação do Evangelho em Filipos?

Por outro lado, a igreja precisa também fazer bom uso da lei secular a favor do Evangelho. Exigir o respeito dos poderes constituídos não é desrespeito e nem insubordinação, mas um direito justo. A base da relação igreja/Estado, segundo as Escrituras, é a justiça, e não o favorecimento. A igreja nunca deve pleitear o favor do Estado, mas a liberdade de crer e anunciar o evangelho sem restrições injustas.

A perseguição é uma realidade para a igreja não porque ela sonega impostos; se vende por propinas ou “viraliza” sua intolerância por meio de intrigas com outros cultos ou outras religiões. A perseguição é uma realidade porque a igreja prega o evangelho que impõe mudanças morais na vida das pessoas por causa da santidade de Deus. As exigências morais do evangelho vão de encontro a todas as conveniências sociais que perpetuam a exploração do próximo pelo mais rico, pelo mais poderoso e pelo mais esperto. A perseguição acontece porque amamos mais a Deus que ao mundo (1 Jo 2.15-17) Porque o mundo odeia a Cristo e seu evangelho o mundo sempre odiará a igreja também.


         Em Atos 16, Lucas nos mostra, acima de tudo, que o evangelho não é uma experiência intimista e solitária, mas uma benção para ser experimentada por você e sua família e que quando um da família crê, a porta se abre para a família toda se unir ao evangelho. Embora, em alguns casos, o evangelho divida famílias, na maioria das vezes ele não só as une como fortalece ainda mais o vínculo familiar elevando-o da condição sanguínea para o da fraternidade em eternidade por meio da cruz. 

Com amor, Pr. Hélio.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Atos 15 = Controvérsias


®   Atos 15: Controvérsias.

O capítulo 15 de Atos começa e termina com controvérsias (v.2, 39).  As palavras contenda, discussão (v.2) e desavença (v.39) fazem a nossa fé tremer por dentro! A primeira tinha a ver com a doutrina, mas a segunda tinha a ver com a administração dos relacionamentos dos missionários e de suas qualificações para a obra. A primeira foi resolvida por meio de um concílio que tomou uma decisão doutrinária e normativa. A segunda foi resolvida somente em parte, pelas as evidências da história posterior.

O Concílio de Jerusalém reporta a maneira de se tratar as controvérsias na igreja. O assunto precisa ser bem esclarecido, ainda que o debate seja grande e os posicionamentos apresentados com força. O parecer final deve ser o que agrada ao Espírito Santo (v.28) e à liderança da igreja com a anuência da mesma (v.22,25). Eles buscaram e encontram um acordo pleno e foi isso que trouxe alegria às igrejas locais (v.31), ainda que depois ficasse evidente que nem todos obedeceram ao definido como doutrina da igreja! A decisão e como foi transmitida trouxe consolo e fortalecimento à igreja de Deus (v.32).

Mas nem todas as controvérsias se resolvem conciliarmente ou conciliatoriamente. Paulo e Barnabé entraram em desacordo quanto à companhia e utilidade de Marcos no trabalho missionário e não conseguiram o consenso, pois a desavença foi superlativada pelo advérbio de intensidade na expressão “tal desavença”, que tem sua raiz na palavra “cisma” e demonstra um grau elevado de irritação entre os disputantes.

Precisamos aprender a sabedoria que deva dirigir as nossas palavras tanto nos concílios da igreja, quanto nas questões pessoais menores relacionadas ao trabalho cristão. Paulo só reconhecerá seu zelo exagerado mais tarde quando elogiar Marcos no fim de seu ministério. O fato é que Paulo e Barnabé, embora grandes amigos, não voltaram a trabalhar juntos na missão.

Por outro lado, a controvérsia pessoal entre eles não prejudicou o trabalho, mas o diversificou e ainda introduziu Silas na missão, que foi um ganho sem precedentes; e Barnabé ajudou Marcos a tornar-se um missionário de valor! Nas controvérsias, existirão coisas que não conseguiremos resolver, mesmo se voltássemos ao passado, por isso, o melhor é aprendermos o máximo possível com elas a fim de minimizarmos seus efeitos nefastos e visualizarmos as ações da graça divina por detrás delas.

Com amor, Pr. Helio.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Atos 14 = Convertidos das Coisas Vãs

1678 - Heiss - Paulo e Barnabé em Listra

®    Atos 14: Convertidos das Coisas Vãs.

O Evangelho chega à província Romana da Galácia, atingindo quatro cidades do sul dessa região populosa e multirracial: Antioquia da Psídia, Icônio, Listra e Derbe.

A partir de Listra, o foco dos missionários se volta para os gentios, ainda que a principal estratégia continue sendo começar pela sinagoga. Assim, a pregação do Evangelho passa a lidar com um elemento novo e externo: As crendices e misticismos populares das religiões pagãs. O conteúdo da pregação continua o mesmo e também o foco. Todavia, a mensagem é apresentada indutivamente a partir da criação, dirigindo-se para o evangelho, a fim de apontar pontos comuns que possam atrair a atenção para a mensagem cristã e retirar as pessoas de seu culto a coisas vãs.

A mensagem não é diluída num sincretismo permissivo, nem mudada ao sabor das novidades, menos ainda diminuída no seu significado redentor, pelo contrário, o esforço dos missionários é apresentá-la com fidelidade, de forma relevante e contextualizada. É evidente que contextualizar a mensagem não significa mudar seu conteúdo acrescentando ou diminuindo elementos externos à sua essência.

Chama a atenção os versos 21-23. Há quatro gerúndios que nos apresentam o procedimento e as razões de se ter igrejas organizadas. As igrejas precisam ser organizadas e ter liderança capacitada:

(1º) Para que as almas dos discípulos sejam fortalecidas (v.22), confirmando a fé e dando-lhe mais firmeza.

(2º) Para que sejam estimulados a permaneceram firmes na fé (v.22). A perseverança precisa constantemente de estímulo, exortação fraternal e amistosa, incentivos baseados no companheirismo e fraternidade cristãos.

(3º) Para que vivam sua fé de forma realista (v.22). A palavra “mostrar” não aparece no original, mas foi acrescentada pelo tradutor a fim de esclarecer a presença da palavra “tribulação” no texto. A vida cristã jamais será um mar de rosas, ainda que vitoriosa, porque quem quiser viver piedosamente será perseguido por causa de sua fé (2 Tm 3.2).

(4º) E para que tenham liderança que lhes proporcione esse respaldo à sua fé (v.23). A eleição de presbíteros era necessária para que o fortalecimento, a perseverança e o realismo da fé pudessem ser implementados em cada igreja a fim de que crescessem e não se perdessem, diluindo-se nas muitas curvas, encruzilhadas e becos da secularidade cultural e pagã ao seu redor afastando-se da pureza do Evangelho. A liderança tem como tarefa dar continuidade à missão e levar cada igreja local ao compromisso missionário do Espírito Santo de levar o Evangelho até aos confins da terra!

O capítulo 14 termina com um relatório da primeira viagem missionária. Missionários não são francos atiradores independentes; eles precisam retornar à sua base de envio e prestar contas de tudo. Eles não foram enviados para pregar o seu próprio modo de entender o Evangelho, mas para pregar fielmente a Palavra da Graça de Deus em Cristo.

Fomos enviados ao mundo para anunciar o favor gracioso de Deus para com a humanidade a fim de que se converta de suas crenças vãs; de suas idolatrias pomposas e ilusórias; de sua religiosidade desfocada e sem rumo! No Evangelho, Deus nos oferece o caminho de volta para a casa do Pai que só pode ser trilhado por meio de Cristo (Jo 11.25; Jo 14.6; Jo 15.1-5).
                                                                                                        
Com amor, Pr. Helio.
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